Interrompo o breve hiato deste blog para anunciar que vou participar da próxima Hey Ladies! Todos por aqui sabem do carinho que tenho por esta festa e pelas meninas que a realizam (DJ Bree, deFatima e Silvia Paz). É uma honra fazer minha estreia “nas carrapetas” convidada por gente tão querida.

Pois há dois anos colocando as garotas cariocas para dançar, a Hey Ladies encerra o ano de 2009 com mais uma noite de indie rock, eletro e muitos hits. A edição especial de fim de ano acontece no dia 05 de dezembro, no Cine Lapa, sob o comando das DJs deFatima e Silvia Paz e sua seleção sempre campeã, que costuma trazer Phoenix, The Organ, Magic Numbers, Lily Allen, MGMT, Amy Winehouse, Bjork, Morrissey, Mika, Elastica…

Reforçando o time e aproveitando a oportunidade de ser DJ por uma noite, prometo rock dançante e um set-vingança com bandas que não costumam tocar na noite (e que sempre quis ouvir nas pistas!).

Esperamos vocês lá!


A concorrente ao Ídolos, Lívia Mendonça, de apenas 20 anos, e toda a diferença que o apoio familiar faz na vida de alguém L, G, B ou T…


Filled with water (Austrália)

Vem aí a Íris – Mostra Internacional de Animação LGBT. O evento ocorre no Rio de Janeiro nos dias 01, 08 e 15 de setembro, e leva ao Centro Cultural Justiça Federal animações nacionais e estrangeiras. São 21 curtas sobre diversidade sexual, vindos de países que incluem a Bulgária, Turquia e África do Sul.

Um dos destaques é a animação “Filled with water” (foto), de Elka Kerkhofs, diretora belga radicada na Austrália. O filme, que é sua última produção, já foi exibido em mais de 50 festivais ao redor do mundo. “Filled with water” apresenta a história de uma surfista de coração vazio que se apaixona por uma bailarina em uma tela gigante de TV. A animação tem técnicas diversas e traços interessantes, misturando stop motion, fotografias e aquarela.

Para quem quiser ver um pouquinho do que estará na Mostra Íris, ou para quem morar fora da cidade e não puder comparecer ao evento, este e outros trabalhos de Elka Kerkhofs estão disponíveis em sua página no Vimeo.

Aos cariocas… nos vemos lá!

>> Mais informações sobre a Mostra Íris aqui.


Nada contra?!

21ago09

Há duas semanas, li no caderno Rio Show do jornal O Globo esta carta de um leitor reclamando sobre o tratamento recebido no Chico & Alaíde, um bar localizado no bairro do Leblon (Rio de Janeiro). Acompanhado de seu namorado, e agindo devidamente como um casal que são, o rapaz acabou sofrendo repreensão pelo dono do estabelecimento.

 

É proibido proibir?

Fui ao Chico & Alaíde com meu namorado e três amigas. Depois de comermos bolinhos, uma pessoa, que se identificou como o dono, disse que deveríamos parar com o nosso comportamento ou nos retirarmos do bar. O “nosso” comportamento era eu estar abraçado com meu namorado e ter dado um beijo discreto nele. Fomos embora, indignados com o preconceito. JOÃO PEDRO BORGES, por e-mail.

Chico Chagas, um dos sócios do bar, responde: “eu não tenho nada contra gays, mas este é um bar família, cheio de crianças. Tem que se comportar melhor. Depois de alguns clientes reclamarem comigo, eu intervi. Falei educadamente com eles, que, aliás, não eram nada discretos.”

 

Ou seja: tudo bem ser homossexual, desde que você não beije alguém do mesmo sexo. Faz sentido?

Sobre este episódio, o escritor João Paulo Cuenca publicou em seu blog um texto brilhante. Publico abaixo, na íntegra.

* * *

O árbitro moral é o dono do boteco (por João Paulo Cuenca)

Cena recorrente no Balneário é a expulsão de um casal homossexual por trocar beijos ou estar de mãos dadas num bar. Repercute na imprensa bissextamente e quando trata-se de lugar na Zona Sul – há algum tempo, o pré-moderninho Mofo, no Flamengo, na última semana o neo-botequim Chico & Alaíde, no orquidário do Leblon.

Publicada no suplemento Rio Show de sexta passada, a justificativa do gente boa proprietário do bar, Chico Chagas, é um primor de estupidez e ignorância automática que merece ser reproduzida ipsis litteris e comentada em partes:

1- “Eu não tenho nada contra gays, mas este é um bar família, cheio de crianças. Tem que se comportar melhor.”

Antes de tudo, o Chico poderia definir o que exatamente faz de um bar família – para os meus padrões, nunca entrei num desses (e tenho o azar de conhecer todos os bares do Principado do Leblon).

Depois, gostaria de entender o que tantas crianças fazem numa casa cujo produto principal são tulipas sobrevalorizadas de chope – os salgadinhos caíram muito de qualidade desde que saíram da cozinha do Bracarense, diga-se. Também seria interessante que o Chico definisse o que é se comportar melhor. Beijar alguém do mesmo sexo na boca é se comportar pior baseado em que tipo de parâmetro? Seja qual for, preconceito contra opção sexual de terceiros, além de falta do que fazer, é tipificado como crime pelas leis brasileiras.

Leis? Mas quem precisa delas numa sociedade em que o árbitro moral é o dono do boteco?

2- Vossa Senhoria continua a deblaterar: “Depois de alguns clientes reclamarem comigo, eu intervi. Falei educadamente com eles que, aliás, não eram nada discretos.”

Os clientes tem todo o direito de reclamar de qualquer coisa, inclusive do preço do chope e da temperatura da empadinha, dados objetivos e facilmente quantificáveis. Já discrição é conceito relativo. Se aquele fosse um casal “normal”, segundo os padrões dos proprietários e da clientela do boteco, imagino que fosse considerado discreto. De qualquer forma, não há educadamente que justifique tamanho absurdo – um bar é um lugar público e um beijo homossexual não é atentado ao pudor.

***

Esse tipo de tribunal urbano é o que dá origens a manifestações que já deveriam ser anacrônicas, como passeatas de orgulho gay que estampam gosto pessoal em bandeiras multicoloridas.

Enquanto seres humanos do mesmo gênero não puderem andar de mãos dadas e beijarem-se sem que isso seja considerado um ato subversivo ou, pior, político, estaremos sujeitos a idéia bizarra de que alguém deva orgulhar-se por ter uma ou outra opção sexual.

***

Nada disso surpreende num país em que o fato novo da campanha eleitoral para a sucessão presidencial de 2010, até então polarizada entre o sujo e o mal lavado, é a aparição de uma pré-candidata que defende o ensino criacionista nas escolas públicas.

Num reino onde confunde-se o público com o privado em todas as esferas, deve ser normal que fiéis a Deus imponham sua crença dentro de salas de aula sustentadas pelo Estado, supostamente laico.

Laico e assexuado, espera-se.


O Sono, de Gustave Courbet

Gustave Courbet foi um pintor francês que liderou, no século XIX, o movimento artístico conhecido por Realismo. Alcançou notoriedade ao retratar duas mulheres nuas entrelaçadas no sensualíssimo Le Sommeil (O Sono). O quadro deu o que falar na época e hoje está no acervo do Petit Palais, onde foi clicado pelo amigo Pedro Curi.

Quem quiser as duas mocinhas em casa pode encomendar pela AllPosters.com.

E por falar em nu, em sexo e em arte…

Achei incríveis as ilustrações do Zed Nest para o Made By Humans – principalmente estas duas, de sexo entre homens. Ambas estão à venda através do site, em prints tamanho A3 ou A4.

 

Zed Nest para Made By Humans    Zed Nest para Made By Humans

 

Vale conferir!


Hey Ladies, festa favorita das meninas que curtem meninas (e também um bom rock), mudou de endereço este mês. A partir de agora acontece no Cine Glória – um espaço super bacana que recentemente passou também a abrigar festas.

E mais uma novidade: a nova integrante da equipe, a DJ Silvia Paz, da vaporosa e escaldante Quartas Intenções (mais conhecida como “a festa da sauna”).

Partiu?

Lista amiga aqui: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=44055449

Hey Ladies 25/9

Vejo vocês lá!


Estava de férias e estou organizando a volta do Gay e OK.

Enquanto isso vocês podem visitar o 43/44 – tem novo post por lá!


Gay e OK

29jun09

Hoje de manhã, lendo a Revista do jornal O Globo, me surpreendi. Sei que nem todos os leitores do Gay e OK são do Rio de Janeiro, e lamento que o site do jornal não tenha versão do artigo online, mas, aos que puderem, peço que procurem ler a coluna do psicanalista Alberto Goldin publicada hoje. O título? “Gay e o.k.”. Não sei se se trata de uma coincidência.  Muitos amigos se surpreenderam ao ver o título, assim como eu mesma. Por este motivo, e também pelo tema da coluna, decidi escrever ao jornal. Abaixo publico o e-mail enviado.

* * *

Edito há quase 2 anos o blog Gay e OK (http://gayeok.wordpress.com). Neste espaço, comento notícias, indico produtos culturais e faço entrevistas, a fim de estimular o debate sobre a homossexualidade e de tratar este tema, sempre tão problematizado, de forma mais positiva e natural. Mesmo ainda sem esforços de divulgação, conto com um grupo fiel de leitores – média de 150 visitas diárias no ano de 2009, com um total que ultrapassa 50.000 acessos nestes 2 anos de trabalho.
Qual não foi a minha surpresa, nesta manhã, ver o nome “Gay e o.k.” batizando a coluna do psicanalista Alberto Goldin. Dado o título e o assunto, não me resta alternativa a não ser comentar.
Quando escolhi o nome para o meu blog quis demonstrar que é plenamente possível ser homossexual e estar de bem com isso, e que a homossexualidade não é doença, não é problema, e sequer precisa ser questão. Carecemos de modelos, pouco somos representados na mídia, e socialmente lidamos com a invisibilidade quase todo o tempo, e desta maneira, sem referências, é difícil se entender, se aceitar e se assumir. Ao comentar sobre filmes, sugerir atividades culturais ou entrevistar realizadores do universo GLBT, estou buscando atestar que ser gay é ok através de exemplos positivos, e assim ajudar a pessoas como eu a viver de forma mais leve e plena.
 
Li a carta do leitor Fábio e a resposta do Alberto Goldin. Acredito que o comentário foi bastante feliz, mas gostaria de levantar um ponto importante – a confusão entre ser homem e ser masculino; o gênero, o papel social e até o “jeito” de cada um. Um homem gay, por mais afeminado que possa ser, ainda é um homem. Entendo que o incômodo do leitor não era sua homossexualidade, e sim o “parecer” homossexual (o que entra no jogo da visibilidade social, e para mim denotou que, apesar de estar confortável em relacionar-se intimamente com homens, exercer sua identidade gay ainda é um problema – mas não sou psicanalista). Acho que isso poderia ter ficado mais claro: o mais feminino dos gays não deixa de ser homem, e a mais butch das lésbicas não deixa de ser mulher, mesmo se relacionando com pessoas do mesmo sexo, e mesmo até podendo desempenhar papéis de gênero diferentes dos convencionalmente praticados.
 
 
Tendo sido o título coincidência ou não, convido a todos a uma visita ao blog. Estava de férias, mas nesta semana entrarei com novos posts.

Cordialmente,
Mariana Amaral


Dia da Sogra

28abr09

Hoje, dia 28 de abril, é Dia da Sogra.

Semana passada, uma repórter do site G1 estava abordando pessoas na Cinelândia para entrevistar sobre a data. Eu, que no momento ando “desprovida” de sogra, não pude ajudar na enquete. Mas depois fiquei imaginando como poderia ter sido a entrevista, caso eu estivesse namorando:

Repórter: Hoje é o Dia da Sogra. O que você pensa sobre essa data?

Eu: Nossa, acho uma data super válida. As sogras merecem reconhecimento!

Repórter: E como é a sua relação com a sua sogra?

Eu: Infelizmente a gente ainda não se conhece.

Repórter: Por quê? Ela mora em outra cidade?

Eu: Não, na verdade ela mora aqui mesmo, mas é que a minha namorada preferiu não falar com ela sobre nosso relacionamento por enquanto.

Repórter: Namorada?! Ah, sim, entendi… Hm… mas e com outras sogras, você se dava bem?

Eu: Ah, sim, sim, eu tive uma sogra que me adorava.

Repórter: Que interessante, isso significa que a sociedade está ficando mais aberta com relação a homossex…

Eu: O problema é que ela só foi saber que era minha sogra quando meu namoro terminou.

* * *

Feliz Dia da Sogra a todas aquelas que curtem seus filhos e os genros, e suas filhas e as noras, de coração sempre aberto.


Noite dessas fui com uns amigos a uma loja de conveniência de um posto de gasolina. Enquanto aguardava um sacar dinheiro e outra procurar por uma caixa de band-aids, fiquei pela prateleira de revistas me distraindo com as manchetes. Estava lá a revista Capricho, parte tão importante da minha adolescência. Junto com a Querida, que eu comecei a ler com uns 11 anos e cheguei até a colecionar, me ajudou a entender e a enfrentar esse período tão esquisito que antecede a idade adulta.

Miley Cyrus, a estrela teen da vez, me olhava sorridente na capa; “4 idéias legais para customizar seu tênis” poderiam me ser úteis de alguma forma, mas o momento de nostalgia não teria se estendido à efetiva compra da revista não fosse o destaque “Vida real: Eu beijei uma garota. E agora?”. Fui carregada de volta a tempos em que nem eu mesma sabia ao certo sobre a minha (homos)sexualidade, mas a Querida e a Capricho me garantiam que, qualquer a minha orientação, estava tudo ok.

Li a matéria quase toda ali mesmo, mas trouxe a revista para casa para analisar com mais calma. Escapou um “homossexualismo” indevido ali, uma “opção” sexual inadequada acolá, mas num âmbito geral a matéria é super positiva e esclarecedora. Ela parte do depoimento de quatro garotas que beijaram outras meninas para ilustrar situações muito comuns: uma que beijou apenas porque teve curiosidade, uma que beijou e acha que é lésbica, outra que acha que é bi, e outra que ainda não conseguiu compreender a experiência. Com o apoio de psicólogos, sexólogos e dados de pesquisas, Capricho explica que uma menina beijar outra não necessariamente significa que ela é lésbica, e que experimentar faz parte do período da adolescência. Mas, caso esteja se reconhecendo como homossexual ou bi, a revista ajuda dando dicas sobre como e para quem se abrir sobre o assunto, e indica dois grupos de suporte – o GPH e o e-jovem.

Achei muito interessante as pesquisas publicadas. De 2524 adolescentes entre 12 e 19 anos, de 55 cidades brasileiras, 44% têm amigos com orientação sexual diferente e lidam bem com isso. “No meu tempo” a homossexualidade nem era algo mencionado entre os amigos do colégio – a não ser que um grupo de valentões estivesse tirando sarro de alguém, chamando algum menino de bicha. Muita coisa já mudou desde então, pelo visto. Uma outra pesquisa, feita pelo site da Capricho, revelou que, de 6555 meninas, 36% já tiveram vontade de beijar outra garota, e 22% realmente já beijaram. 

Tudo isso me deixou com uma impressão muito boa, e confiante de que as publicações para jovens serão cada vez mais abertas sobre a homossexualidade. Espero que esta edição da Capricho contribua para que várias meninas aceitem melhor seus desejos e afetos, assim como edições antigas contribuíram com isso para mim mesma.




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