O que é normal?
Hoje foi reexibida no GNT a entrevista que Thomas Beatie concedeu no início do ano à apresentadora Oprah Winfrey. Na época, grávido de 6 meses, o transgênero Thomas explicava mais sobre sua história, inicialmente divulgada pela revista People.
Durante a entrevista percebi que muitas vezes, tanto por ele, quanto pela família, pelos amigos e pela médica, o conceito de “normal” era abordado. Vários médicos recusaram Thomas como paciente por não ser uma gravidez “normal”. Thomas e a esposa eram como um casal “normal” para as filhas dela do primeiro casamento. Os vizinhos nunca tinham percebido nada de “anormal” em Thomas até saberem da gravidez. E no artigo escrito pelo próprio Thomas Beatie para a revista The Advocate, é também evidente a idéia de “ser normal” alinhavando seus pensamentos:
To our neighbors, my wife, Nancy, and I don’t appear in the least unusual. To those in the quiet Oregon community where we live, we are viewed just as we are – a happy couple deeply in love. Our desire to work hard, buy our first home, and start a family was nothing out of the ordinary. That is, until we decided that I would carry our child.
Como desfecho do mesmo artigo, Thomas diz que sua história será um convite para que se admita toda a gama de possibilidades humanas e para que as pessoas definam por si mesmas o que é “normal”.
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Não posso sequer imaginar a dimensão das dificuldades que esta família tenha passado ou esteja passando. Mas aqui, do conforto do meu lar e muito distante dos holofotes, não gosto nada dessa história de querer ser normal. Para evitar falar bobagem, recorro ao dicionário. E, segundo o Michaelis, “normal” significa “conforme à norma; regular”, “conforme a um tipo dado e, portanto, presente na generalidade dos casos”.
Uma família “normal” não seria capa da People, ou sentaria no sofá da Oprah, certo?
E se critico este “normal” é justamente por enxergar tanta beleza neste caso - beleza em ser singular. E é pelo reconhecimento das diferenças e pela ”gama de possibilidades humanas” que deveríamos nos fazer respeitar – não pela pasteurização ou inserção forçada em padrões.
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Toda felicidade a Thomas Beatie, sua esposa e sua recém-nascida filha.
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Também desejo toda a felicidade do mundo para esta família. E me assusto em perceber o quanto o “diferente” ainda incomoda as pessoas…
poxa, que lindo