Desculpem-me pelo péssimo trocadilho, mas foi exatamente isso que eu senti ao acompanhar as manchetes do jornal Destak, semana passada.
Na quarta-feira, ao ver a capa do jornal, até comecei o dia mais feliz:
Câmara vota hoje projeto que permite adoção por casal gay (20/08)
Na manhã seguinte, o balde de água fria:
Sob pressão, governo pára projeto de adoção por gays (21/08)
Líder do PTB, o deputado Jovair Arantes declarou que “a família brasileira” não está preparada para esta realidade. Porque, sim, é uma realidade. Hoje mesmo os conhecidos Vasco Pedro da Gama e Júnior de Carvalho apareceram em matéria do Fantástico falando mais uma vez sobre sua história. Os dois foram o primeiro casal homossexual masculino brasileiro a conseguir a adoção de uma criança, em 2006 – e agora estão novamente na fila de adoção, para dar à pequena Theodora uma irmãzinha.
São exceção. Na maioria dos casos, apenas um dos pais (ou uma das mães) consegue ter o seu nome registrado como adotante. E pode-se apenas imaginar a quantidade de transtornos que enfrenta uma família que não é reconhecida, justamente, como uma família de verdade.
Ao menos foi bom de saber, no fim da reportagem, que o IBGE vai investigar famílias homossexuais no próximo censo, considerando casais do mesmo sexo como casais de fato. De repente através dos números conseguimos mostrar que ”a família brasileira” é muito mais diversa do que alguns insistem em acreditar.
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Eu sempre me assusto quando ouço a expressão “família brasileira”, porque geralmente ela é justificativa para os comportamentos mais preconceituosos e absurdos. Alguém precisa dizer para esses políticos idiotas que a “família brasileira” mudou e faz tempo! Divorciados, mães solteiras, recasados, gays, namoridos, padrastros, madrastas, todos eles também formam famílias felizes e merecem os mesmos direitos do antigo casal homem-mulher.