No palco pode!

17set07

Les Ballets Trockadero de Monte Carlo

Não quero ser ranzinza. Realmente passei uma tarde agradabilíssima no Theatro Municipal do Rio de Janeiro assistindo à sensacional performance do Les Ballets Trockadero de Monte Carlo. O show de dança e de humor com os bailarinos em drag foi um programa ótimo, e o projeto O Globo em Movimento sem dúvida merece parabéns por ter trazido a companhia.

Mas – sempre tem um mas… – não consegui deixar o teatro sem uma certa inquietação.

Os Trocks (como o grupo se apelida) existem desde 1974 e fundaram em Nova Iorque a companhia para parodiar o repertório da dança clássica. Apresentam um espetáculo que encanta quase tanto pela boa técnica quanto pelo refinadíssimo tom irônico. Os bailarinos, vindos de todos os cantos do mundo, travestem-se de suas personagens (Tatiana Youbetyabootskaya, Svetlana Lofatkina, Nadia Doumiafeyva, entre outros nomes inspiradíssimos) e evoluem no palco com seus tutus sob aplausos entusiasmados da platéia. Muitas vezes inclusive em cena aberta.

A questão que fiquei remoendo foi a seguinte: no palco, então, pode? A norma ali é mais flexível? Enquanto for entretenimento, tudo bem?

Se um dos bailarinos estivesse em um dia comum nas imediações do teatro vestido de mulher, não há dúvida de que boa parte daquelas mesmas pessoas olharia torto.

A não ser que fosse Carnaval.

Porque no Carnaval também pode.

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4 Responses to “No palco pode!”

  1. 1 Renata

    Sei não…tivemos um professor uma vez que nos ensinou que muitas manifestações culturais são – preconceituosas ou não – também reflexos da sociedade. Tenho tanta certeza quanto você que alguém vestido de mulher ía ser olhado torto na rua. Mas ía ser olhado tão torto quanto era há 10 anos atrás? OK que atores travestidos e drags existem artísticamente há muito tempo, mas um espetáculo assim ía estar no Theatro Municipal sendo reconhecido como um autêntico espetáculo em outros tempos? Ou ía ficar restrito nos Vaudevilles da vida?

    Sei que há um longo caminho…mas nesse caso, não vejo porque ter um “mas” tão reticente. Fico feliz que podemos constatar um avanço, mesmo que a passos de formiga. Essas constatações deveriam animar a luta :o)

    Um dia, os negros dos filmes eram brancos pintados de piche…

  2. 2 Marta

    Concordo com o questionamento. O público brasileiro aceita personagens gays, lésbicos ou travestis se estiverem de maneira caricata. Se na novela o gay for afetado e histérico, é engraçado e todo mundo gosta. Se forem duas mulheres maduras, bem casadas (uma com a outra) e que tomam banho juntas, mandam explodir junto com o shopping.

    Concordo que houve muito avanço com relação a isso, mas é preciso mostrar também a homossexualidade como uma coisa normal.

    Se pensarmos na história, veremos que era uma prática comum. E em alguns casos até usada em guerras. Dizem que os espartanos procuravam utilizar dupla de guerreiros namorados em incursões pois um ia proteger o outro e lutar com mais força.

  3. 3 José

    Por quê fiquei com uma estranha sensação de que láááá atrás das palavras do signatário reside um inarredável preconceito…?

  4. 4 gayeok

    Será? Desenvolva, José!
    Abraços.


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