Comendo pelas beiradas

20set07

Adam Sandler e Kevin James, em “Eu Os Declaro Marido… e Larry”

 “Eu Os Declaro Marido… e Larry”, que está em cartaz nos cinemas, é um filme que faz pensar. Longe de ser intencional, mas faz.

Larry Valentine (Kevin James, do seriado “The King Of Queens”) é um bombeiro viúvo que, na intenção de proteger seus filhos no caso de sua morte, acaba forjando uma união com seu colega de trabalho Chuck Levine (o comediante Adam Sandler, de “O Paizão”, entre outros). Apesar de ser o garanhão do Brooklin, Chuck acaba aceitando, por ter uma grande amizade e um imenso sentimento de gratidão a Larry.

Como poderia se esperar de uma comédia hollywoodiana balde-de-pipoca, o filme é raso, cheio de clichês e piadas fáceis. Não é de todo ruim, mas fica no lucro quem esperar passar no Telecine, ou na Sessão da Tarde. De toda forma, a mim o filme não foi ofensivo. Claro que os estereótipos e os lugares-comuns estão todos lá: o menininho afeminado que gosta de musicais, o fortão que parece macho mas que depois “se revela”, o jogo entre passivo e ativo, a disco music… Mas, entre uma ou outra derrapada de gosto duvidoso, a mensagem que eu captei foi positiva: o filme fala e defende a igualdade de direitos, e no geral faz humor sobre isso sem desrespeitar.

Porém, isso foi o que EU captei. O que o espectador médio que não está nem aí pra essa história e foi lá só assistir à nova comédia do Adam Sandler vai absorver? Será que ele vai abrir a mente para essas questões? Será que ele vai deixar a sala de cinema pensando sobre a diversidade sexual e quiçá questionando a nossa sociedade ainda tão conservadora? Será que, caso seja preconceituoso, irá sair do shopping transformado?

Meu palpite é de que não. Mas, mais além, eu não acredito que o filme precise ter essa função explicitamente. Não é um documentário, não é um vídeo educativo; é uma comédia americana que por acaso conta a história de dois bombeiros que resolveram fingir que são gays. Já acho um ganho ela ter sido produzida, estar sendo vista, não trazer uma mensagem preconceituosa e ainda de quebra divertir o tal espectador médio. Sutilmente o tema da homossexualidade vem à tona e assim vamos comendo pelas beiradas, conquistando nosso espaço também no mainstream.

Em tempo: Isso se trata absolutamente de uma opinião pessoal, até porque sei de quem discorde veementemente comigo! ;o)  Mas a função desse blog é mesmo abrir para a discussão, então vamos que vamos!

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4 Responses to “Comendo pelas beiradas”

  1. 1 roquesanteiro

    Quando fiquei sabendo que Adam Sandler tinha feito este filme, me preparei para o pior. Afinal de contas, ele tem carterinha assinada com os Republicanos Americanos. Mas, pela sua resenha, me parece que ele é um dos poucos Republicanos simpatizantes com o movimento gay.

  2. 2 Marta

    Teria que ver o filme (o que não me anima muito) para debater.
    Mas não posso deixar de admitir um pouco de receio com relação a esse tipo de filme americano. Ainda mais com esses atores.

    E por falar em filmes, você viu O Closet?

  3. 3 gayeok

    Marta: Por isso justamente que eu já disse de antemão que sei de opinião (MUITO) contrária à minha. hehe

    Não vi O Closet… O nome não me é estranho, mas não lembro que filme é!

  4. 4 Marta

    É um filme francês, com Gerard Depardieu e Daniel Auteuil. A princípio eu não queria ver porque achei que seria preconceituoso ou que eu ia me chatear. Mas eu adorei! Ri muito!!
    =)


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