Capa, página 2 e página 3

27abr08

Nesta manhã de sábado, a fancha carioca desavisada deve ter levado um susto ao se deparar com o título da capa do caderno Ela (jornal O Globo). “Estou lésbica”, uma reportagem de três páginas, fala sobre o comportamento de jovens mulheres que preferem não restringir os limites de sua sexualidade aos rótulos de “homossexual”, “heterossexual”, etc etc.

Particularmente, apesar de concordar que a sexualidade humana é muito mais complexa do que os termos dão conta, costumo perceber a rejeição a rótulos como uma certa fuga do “assumir-se”. E se assumir (e se diferenciar) ainda é um passo necessário para a visibilidade social e conseqüente conquista de direitos políticos e tudo aquilo que já sabemos bem. Mas a matéria conseguiu construir de forma bacana seu discurso sobre a flexibilidade do desejo, com testemunhos e opiniões bem variados. Muito importante foi as meninas darem nome, sobrenome e ainda aparecerem em diversas fotos – coisa rara neste tipo de matéria.

(Agora… mandou mal quem sugeriu a observação pseudo-engraçadinha ao final do texto. Terminar a reportagem com um “PS: As repórteres Melina Dalboni e Suzana Velasco são apenas amigas” foi no mínimo desnecessário…)

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3 Responses to “Capa, página 2 e página 3”

  1. 1 Té Pazzarotto

    Que bom que eu não sou a única pessoa que pensa assim… Também acho a sexualidade deveras complexa para ser “padronizada”, “enlatada” etc. Mas também concordo que o desvio de certos rótulos (como uma simples troca de verbos), realmente, parece uma fuga.
    Entretanto, que bom a reportagem ter tido esse lado positivo, e que péssimo essa piadinha heim…

    Eu não estou, eu sou lésbica =D
    beijos!

  2. 2 garota do Blah

    estar ou ser, eis a questão.
    existe isso mesmo? hum… =p

  3. 3 Carol

    Acho que os rótulos existem para simplificar, não para ser uma regra. Eu sou lésbica, só fico com garotas e às vezes beijo o meu amigo gay (mas não passa disso). Uma amiga é bi, até prefere homens, mas se imagina namorando uma garota. Outra amiga é “quase hétero”, de vez em quando fica com outras garotas, mas não se vê tendo algo a mais com uma. E a outra é hétero, beija garotas de vez em quando, mas nada mais do que isso.
    A gente brinca, dizendo que sexualidade só importa a longo prazo, ou seja: nos definimos de acordo com quem nos vemos namorando ou casando no futuro. Isso, claro, num conceito prático, para simplificar as conversas do dia-a-dia.


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