Pelos velhos tempos: Revista Capricho

13abr09

Noite dessas fui com uns amigos a uma loja de conveniência de um posto de gasolina. Enquanto aguardava um sacar dinheiro e outra procurar por uma caixa de band-aids, fiquei pela prateleira de revistas me distraindo com as manchetes. Estava lá a revista Capricho, parte tão importante da minha adolescência. Junto com a Querida, que eu comecei a ler com uns 11 anos e cheguei até a colecionar, me ajudou a entender e a enfrentar esse período tão esquisito que antecede a idade adulta.

Miley Cyrus, a estrela teen da vez, me olhava sorridente na capa; “4 idéias legais para customizar seu tênis” poderiam me ser úteis de alguma forma, mas o momento de nostalgia não teria se estendido à efetiva compra da revista não fosse o destaque “Vida real: Eu beijei uma garota. E agora?”. Fui carregada de volta a tempos em que nem eu mesma sabia ao certo sobre a minha (homos)sexualidade, mas a Querida e a Capricho me garantiam que, qualquer a minha orientação, estava tudo ok.

Li a matéria quase toda ali mesmo, mas trouxe a revista para casa para analisar com mais calma. Escapou um “homossexualismo” indevido ali, uma “opção” sexual inadequada acolá, mas num âmbito geral a matéria é super positiva e esclarecedora. Ela parte do depoimento de quatro garotas que beijaram outras meninas para ilustrar situações muito comuns: uma que beijou apenas porque teve curiosidade, uma que beijou e acha que é lésbica, outra que acha que é bi, e outra que ainda não conseguiu compreender a experiência. Com o apoio de psicólogos, sexólogos e dados de pesquisas, Capricho explica que uma menina beijar outra não necessariamente significa que ela é lésbica, e que experimentar faz parte do período da adolescência. Mas, caso esteja se reconhecendo como homossexual ou bi, a revista ajuda dando dicas sobre como e para quem se abrir sobre o assunto, e indica dois grupos de suporte – o GPH e o e-jovem.

Achei muito interessante as pesquisas publicadas. De 2524 adolescentes entre 12 e 19 anos, de 55 cidades brasileiras, 44% têm amigos com orientação sexual diferente e lidam bem com isso. “No meu tempo” a homossexualidade nem era algo mencionado entre os amigos do colégio – a não ser que um grupo de valentões estivesse tirando sarro de alguém, chamando algum menino de bicha. Muita coisa já mudou desde então, pelo visto. Uma outra pesquisa, feita pelo site da Capricho, revelou que, de 6555 meninas, 36% já tiveram vontade de beijar outra garota, e 22% realmente já beijaram. 

Tudo isso me deixou com uma impressão muito boa, e confiante de que as publicações para jovens serão cada vez mais abertas sobre a homossexualidade. Espero que esta edição da Capricho contribua para que várias meninas aceitem melhor seus desejos e afetos, assim como edições antigas contribuíram com isso para mim mesma.

Anúncios


12 Responses to “Pelos velhos tempos: Revista Capricho”

  1. Eu fui assinante da Capricho, essa revista foi minha companheira por toda a adolescência. Aí cresci, virei nerd e assinei a Informática Exame! :)
    Mas tenho um enorme carinho pela Capricho até hoje.
    Espero mesmo que as coisas estejam mudando, e as pessoas se tornem mais receptivas e tolerantes.

  2. Eu tb fui assinante da Capricho como a amiga aqui emcima disse…e ela me esclareceu muita coisa na minha adoslescencia “ht”.
    Na época não me recordo de matérias com o tema gay…até pq nem era tão aberto o assunto assim fora do banheiro do time de handball..
    Mas que as coisas estão mudando a olhos vistos, aos poucos…estão, sim!

  3. descobri que estava envelhecendo num ponto de ônibus do humaitá, junto à garotada do Pedro II, há uns 6 anos mais ou menos. dentre aquela algazarra típica da idade, ouço um pé de conversa entre duas meninas de não mais que 15 anos: ‘pelo menos metade das minhas amigas são bissexuais’. no meu tempo não tinha disso.

  4. 4

    [Rê] diz:
    vem cá posso te fazer uma pergunta?
    tô lendo o post de uma amiga minha
    [minha prima] diz:
    pode. hm.
    [Rê] diz:
    o post fala sobre a capricho vc lê?
    [minha prima] diz:
    naao
    [Rê] diz:
    haha não, tipo, é ruim?
    [minha prima] diz:
    a capricho nao é ruim nao. de vez em quando as minhas amigas compram e levam pra o colegio ai eu fico vendo. é legal
    [Rê] diz:
    entendi
    ela fala que ela leu uma reportagem que o nome era “beijei uma garota e aí?”
    e ela ficou surpresa pq na época dela (que é a minha!) essas coisas não se falavam assim abertamente. é tipo qd a gente pensa que a avó não falava sobre sexo com a mãe, sabe?
    [minha prima] diz:
    uhuum
    [Rê] diz:
    de, tipo, ter gente da sua idade gay e tal
    como vc é a única menininha de 15 anos que conheço, resolvi te perguntar! é?
    [minha prima] diz:
    ééé super!
    a capricho fala bem abertamente sobre essas coisas
    rê moraes diz:
    sério?
    [minha prima] diz:
    éé
    [Rê] diz:
    mas é comum? tipo, suas amigas falam ou tem algum que é?
    [minha prima] diz:
    uhuum
    e acho que nao é so a capricho que fala dessas coisas nao
    acho que tem outras
    na verdade, com certeza tem outras.

  5. Eu acredito que é eventualmente algo que ocorrerá – digo, a diminuição do preconceito e também encarar a homossexualidade como o que realmente é: uma relação entre duas pessoas do mesmo sexo e pronto, nada mais. Simples assim.

    Entretanto seria utopia acreditar que o preconceito será erradicado. Da mesma forma que existem pessoas incríveis com mentes que podem transcender e criar coisas maravilhosas, nós também temos mentes fechadas e medrosas com medo do que é diferente. E como um animal medroso, atacam.

    http://putoanonimo.blogspot.com

  6. 6 Re

    Eu costuma comprar a Carícia. Capricho, mto raramente. Ainda tenho uma caixa cheia dessas revistas lá em casa. Morro de rir qdo releio alguma. Lembro de só uma vez ter lido algo, bem rasteiro, sobre homossexualidade. Mas faz um tempinho já… 88,89,90… Não se expunha mto esse tipo de coisa não. Que bom que a revista está tocando neste assunto.

  7. 7 Laiz

    Eu sempre desgostei muito da Capricho justamente porque ela só tratava de assuntos que não me interessavam: “como beijar um menino”, “como saber se ele estah afim de você”, “como se arrumar pra chamar a atenção daquele gatinho” e bla bla bla, me irritava tanto esse tipo de coisa na minha adolescência (acho que justamente porque eu naum conseguia me identificar com aquilo) que criei um preconceito contra a resvista ou outras revistas do tipo, e portanto nunca as li ou comperei ou coisas do tipo, e me surpreendi ao ler esse post, vou procurar essa matéria pra ler, e tomara mesmo que as revistas para adolescentes começem a abordar de fato questões sobre homosessualidade numa boa, porque na minha adoscência, ainda se sussurava isso entre os cantos.

  8. Quando os meios massivos de comunicação começam a falar abertamente de assuntos outrora tabus é sinal de que algo esta mudando na sociedade. Para mim, com um olhar bem otimista mesmo, é um indício de que o futuro será mais colorido(bem clichê mesmo)!!!

  9. 9 caru

    saudade do submundo! ;P

    eu comprava carícia pra ler as matérias de sacanagem. lembro que uma vez estavam insentivando a prática da masturbação, que consistia em: pegue um papel higiênico – PAPEL HIGIÊNICO – e friccione o seu clitóris.

    a partir daí percebi que o mundo é muito mais interessante do que aquilo que se lê nas revistas. =)

  10. 10 neurosesnamadrugada

    Olá.
    Não sei se você lembra de mim, já andei dando umas voltas por aqui, mas ainda não tinha uma conta wordpress.
    Enfim, criei um blog e coloquei o seu lá como favorito. Só pra avisar.

    = ]

  11. 11 neurosesnamadrugada

    Ops. Foi um lapso momentaneo….

    Pois então, me chamam Raquel

    = D

  12. 12 Carol

    rs Eu assinei Capricho até pouco tempo. Mas, como sempre achei a revista meio boba desde, sei lá, meus 14 anos (agora tenho 18), pedi pra minha mãe trocar pela Turma da Mônica (juro que tenho 18, rs), e lembro que enquanto pensava no quanto eu não gostava da Capricho, pensei algo do tipo “E só fala de menino, nunca fala nada sobre pegar meninas…”. E tcharam, justamente a última ediçao que recebi teve essa matéria sobre garotas. Foi uma boa reportagem, achei legal… mas, enfim, ainda prefiro a turma da monica.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: