Curtindo as férias, de passagem por uma pacata cidadezinha da Espanha, olho para uma sacada, entre tantas, e lá está ela:

Sacada em Toledo, Espanha

No Sambódromo do Rio de Janeiro, entre tanta gente na arquibancada, lá está ela também:

Desfile da Mangueira (Campeãs), Sambódromo

Onde quer que seja, a presença de uma bandeira do arco-íris instantaneamente me provoca um sorriso. Por viver nossa identidade em segredo, quase invisíveis, sinto que nós homossexuais somos muito carentes de referências e de momentos de identificação. Quando vejo uma bandeira do arco-íris me sinto bem-vinda, acolhida, e esta invisibilidade encarada no dia-a-dia dá lugar a uma sensação muito boa de pertencimento. 

Fora que não se pode negar – temos a sorte de nos fazer representar por um símbolo muito simpático!


Antes de dormir, liguei a televisão no GNT. Era madrugada, e o canal exibia o documentário 101 Garotos de Aluguel, sobre a vida de rapazes que fazem programas nos arredores do Boulevard de Santa Monica, na Califórnia. Não bastasse o tema super instigante, ainda conta com a “grife” Randy Barbato e Fenton Bailey – dos excelentes A Hora da Descoberta  e Geração Trans, já devidamente comentados por aqui.

Não necessariamente garotos de programa que atendem a outros homens são homossexuais, mas este foi um dos temas abordados no documentário – assim como o início nesta atividade, drogas, aspirações pessoais, fetiches.

Infelizmente 101 Garotos de Aluguel não está com nenhuma reprise à vista no GNT, mas recomendo procurar pela Internet e baixar.


Tela de Paul Richmond

Estou absolutamente encantada pelo coloridíssimo trabalho de Paul Richmond, um jovem pintor americano. Seus quadros são cheios de referências pop e gays. Recentemente descobri seu acervo virtual (em seu site pessoal e também no Flickr), e me parece ser alguém de quem ainda ouviremos muito falar.

 Minha verdadeira aspiração profissional era ser a Branca de Neve ou a Dolly Parton. Meus pais esperavam que eu seguisse o Direito ou a Medicina. Chegamos a um consenso, e assim ingressei na escola de artes. 

Quadro de Paul Richmond

O que me fez virar fã mesmo foi seu quadro-crítica à Proposition 8, chamado “O cruzeiro de casamento gay de Noé”. Ellen e Portia, os rapazes de Brokeback Mountain, sir Elton John, um casal de flamingos gays e muito mais em uma só pintura. Não acredita? Clique aqui.

Aplausos a Paul Richmond!


Ivri Lider, cantor pop israelense

Li hoje um post no Twitter que me levou a conhecer o cantor pop israelense Ivri Leader. Ivri é assumidamente gay, e teve a brilhante sacada de gravar um cover de “I Kissed a Girl” – hit de Katy Perry sobre o qual já falei por aqui antes.

Pois descobri que, além disso, ele também fez a trilha do filme The Bubble, outro assunto já comentado no Gay e OK.

Ou seja: já é praticamente de casa.

Para quem ainda não conhece, a versão de Ivri para Katy Perry, no clima “um banquinho e um violão”:


Fuck my life

29mar09

Um dos meus endereços favoritos na Internet é o Fuck My Life. Funciona como blog colaborativo, e nele pessoas dividem suas pequenas desgraças diárias, em um estilo parecido com o do Twitter. Naquela hora de desilusão e desespero, o FML é ombro amigo, e mostra que sempre existe mais gente no mesmo barco… ou em barco bem pior.

Há casos sobre os mais diversos assuntos, e é óbvio que “a comunidade” está bem representada por lá. É uma história melhor que a outra. Selecionei e traduzi algumas.  Chega a dar pena, mas nem por isso deixam de ser engraçadas! 

Hoje eu saí do armário para a minha mãe. Tinha planejado um discurso épico, mas quando fui tentar falar deu tudo errado. Comecei a chorar e apenas disse ‘Sou gay’. Depois de alguns segundos de silêncio, minha mãe suspira e diz ‘Dã!’. FML

Hoje eu estava saindo para ir à casa de um amigo, quando de repente meus pais perguntaram se eu era gay. Eu respondi que não, que era bissexual. Minha mãe então perguntou se eu já tinha ficado com alguém do mesmo sexo. Eu disse que sim. Ela então vira para o meu pai e diz: ‘Não disse?! Você me deve 20 pratas’. Meu pais apostaram sobre a minha sexualidade. FML

Hoje tive o melhor encontro em anos. Mais tarde, depois de alguns drinks, estamos conversando e eu conto sobre como saí do armário para minha família e amigos. Quando pergunto para ele como foi sua experiência, ele diz que não é gay e, oh, eu tinha pensado que aquilo era um encontro? FML

Hoje fui à casa dos meus pais para jantar. Quando cheguei lá, percebi que havia bandeiras de arco-íris na varanda e adesivos sobre os direitos dos gays colados em seus carros. Havia também um gigantesco cartaz com ‘Nós te aceitamos, Nick’ preso à garagem. Eu não sou gay! FML

Hoje, minha irmã lésbica me mostrou empolgadamente o seu novo strap-on. Não apenas ela fica com mais mulheres do que eu, como agora tem um pênis maior também. FML

* * *

Para mais posts, visite o site Fuck My Life (em Inglês).


Ra Ruiz no píer da Rua Christopher

Um amigo me repassou o link de um projeto muito interessante do jornal The New York Times. Trata-se da série One in 8 Million, na qual a vida na Grande Maçã está sendo representada através de depoimentos individuais de seus moradores (acompanhados de incríveis fotografias). Afinal, como a própria introdução do projeto diz, “Nova Iorque é uma cidade de personagens”.

Entre as histórias está a de Ra Ruiz, uma porto-riquenha lésbica criada no Bronx. Ela conta que já morou nas ruas e em um quarto no porão de um prédio, onde um zelador ameaçava os inquilinos com uma arma. Apanhava na rua por ser homossexual pelos seus próprios colegas de escola, que não se envergonhavam ou temiam encontrá-la no dia seguinte na escola ou na rua, mesmo depois do que haviam feito. Para fugir um pouco desta realidade, visitava sempre o píer da Rua Christopher, onde encontrou seu lugar entre outros jovens homossexuais que passavam por problemas parecidos.

Qual é o seu “píer da Rua Christopher”?


Duas frases que volta e meia aparecem nas estatísticas são quase iguais, mas ao mesmo tempo absolutamente diferentes. Entre “eu sou gay” e “eu sou gay?”, um sinal gráfico marca uma grande distinção.

Antes de mais nada, acho fabuloso uma pessoa abrir seu navegador, digitar www ponto google ponto com ponto br e entrar com essas três palavras, acrescidas ou não do ponto de interrogação, no campo de busca.

No caso da afirmação, me veio à mente um recém-saído do armário. Contou para os amigos, depois para o irmão com quem tinha mais afinidade, para a mãe, para o pai, para uma ou duas pessoas do escritório… E depois para o Google. Fiquei pensando que os primeiros resultados da busca poderiam ser “Good for you!”, “You go, girl!” ou “Eu também… que tal um choppinho mais tarde?”.

No caso da pergunta, já ouvi dizer que o Google tem resposta para tudo, mas jamais imaginei que pudesse reconhecer a sexualidade de alguém. Testei e os primeiros resultados de fato faziam referência ao assunto, e felizmente entre eles havia um ou outro site sério (caso da Cartilha do Mix Brasil e deste humilde blog aqui).  Mas há muita bobagem também. Me perguntei por quanta besteira uma pessoa que faz esta pergunta para o Google precisa passar até que encontre algo relevante, que a ajude de verdade. (Sim, porque se alguém pergunta isso para o Google em vez de para si mesmo, ou para os pais, ou para os amigos, ou para o terapeuta, é porque precisa mesmo de alguma forma de ajuda ou orientação.)

Também me passou pela cabeça as possíveis respostas. “Eu sou gay?” “Sim!”, “Não!”, “‘Você?! Imagiiiiina… eu que sou!”, ou “Olha, gato… se é, eu não sei… mas para usar essa blusa coladinha, vamos primeiro malhar o abdome?!”.


Moramos no Brasil e ninguém é obrigado a saber falar ou escrever em Inglês. Por conta disso, muitas vezes as estatísticas apresentam variadíssimas formas de se escrever o termo que batiza este blog: guei, gey, gei, guey, gai, além da forma correta, gay.

Decidi pesquisar sobre as origens da palavra. O termo “gay”, que vem do Francês arcaico “gai”, ao pé da letra significa alegre, vívido, exuberante. Foi adotado no século XX como uma forma positiva de se designar os homossexuais, principalmente do sexo masculino, mas por muito tempo foi utilizado sem esta conotação. Segundo o dicionário Merriam-Webster, a origem da palavra data do século XIV, então foram uns 600 anos até virar parte do “nosso” vocabulário.

A dúvida que permanece é: o “nosso” veado é com “i” ou com “e”?


Fazendo uma média desde a sua criação, o Gay e OK vem contando com 78 visitantes por dia. Considerando apenas 2009, este número sobe para 135. Quando há conteúdo novo, o blog recebe mais visitas. Senão, se mantém com cerca de 100 acessos diários.

Muitos desses visitantes são pessoas que caem no Gay e OK procurando por determinados termos em mecanismos de busca (como o Google, por exemplo). E, como já expliquei em um post anterior, o WordPress oferece um serviço muito bom de estatísticas de visitação. Entre outras informações, lista as palavras-chave utilizadas nos mecanismos de busca para que o seu blog fosse encontrado, e quantas vezes cada uma já rendeu tráfego para a página.

Pois bem. Alguns relatórios que recebi nos últimos dias mereciam ser mais cuidadosamente analisados, e por isso decidi que vou fazer aqui uma série de posts sobre eles. Há entradas de todo jeito: engraçadas, curiosas, algumas até um pouco revoltantes, mas principalmente muitas que revelam dúvidas importantes sobre o que é a homossexualidade e o que significa ser gay. Para tentar ajudar nessas é que a série pretende servir.


Uma pausa para o humor, com “Bruno Aleixo na Escola”.